cheirando a guardado

o que fui guardando na memória do gostar ...

novembro 04, 2013

2cv






Pintura de A. Magalhães







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maio 02, 2012

Sobre o Caminho



Pintura de Ana Paula Lopes








Sobre o Caminho  


Nada

nem o branco fogo do trigo
nem as agulhas cravadas na pupila dos pássaros
te dirão a palavra

Não interrogues não perguntes
entre a razão e a turbulência da neve
não há diferença

Não colecciones dejectos o teu destino és tu

Despe-te
não há outro caminho 


Eugénio de Andrade, in "Véspera da Água"
  




Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas 
 (Póvoa de Atalaia, Portugal, 19Janeiro1923 — Porto, Portugal, 13Junho2005) 




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novembro 13, 2011

Os sonhos de Akira







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outubro 30, 2011

Eleutério

Pinturas de Eleutério Sanches









Canção do Subúrbio

Cubatas velhas
vermelhas
do solo velho
vermelho,
e a chuva tamborilando
por cima do zinco velho
e a minha velha
lavando
na velha celha
cantando
já não há mais folhas secas
sobre o zinco das cubatas,
umas o vento as levou
outras são velhas canoas
sobre as vermelhas lagoas,
que a chuva improvisou
e onde o neto da Ximinha
xapinha contente e nu






Eleutério Rodrigues de Sá e Sanches
(Luanda, Angola, 29 setembro 1935)






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outubro 25, 2011

Cheirando a infância (6)

Berlindes

Pintura de Daryl Gortner






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outubro 14, 2011

Cheirando a infância (5)

Vira-Cores

Pintura de Daryl Gortner




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junho 10, 2011

10 de junho - Camões

Camões invocando as Tágides, 1894, Columbano Bordalo Pinheiro 
 
(...)
4

E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloquo e corrente,
Porque de vossas águas, Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipoerene.
(...) 
 
(Os Lusíadas, Canto I) 
==========
Busque Amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê. 
(Sonetos)
 
 
 
Luís Vaz de Camões
1524 // 1580
 
 
 
 
 

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abril 14, 2011

Volks

Día de verano, pintura de Toni Becerra





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março 15, 2011

Maluda

Janelas de Lisboa, Maluda




Maluda, auto-retrato, 1968



Maluda, fotografia de Augusto Cabrita, Lisboa - 1973


Maluda, Maria de Lurdes Ribeiro - Pintora
Pangim, Goa, Índia, 15 de novembro de 1934 - Lisboa, Portugal, 10 de fevereiro de 1999





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fevereiro 26, 2011

Cheirando a infância (2)

Pintura de Otto Lange




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março 11, 2010

Dinamene




Quando de minhas mágoas a comprida
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece
Que para mim foi sonho nesta vida.


Lá numa saudade, onde estendida
A vista pelo campo desfalece,
Corro para ela; e ela então parece
Que mais de mim se alonga, compelida.


Brado: - Não me fujais, sombra benina! -
Ela, os olhos em mim c'um brando pejo,
Como quem diz que já não pode ser;


Torna a fugir-me; e eu gritando: -Dina...
Antes que diga: - mene, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.



Luís de Camões

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