cheirando a guardado

o que fui guardando na memória do gostar ...

dezembro 07, 2012

A Encantada















Museu Casa de Santos Dumont
Rua Encanto, 22 - Petrópolis - RJ







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setembro 12, 2012

Morro da Cruz



Morro da Cruz - Luanda - Angola








Fotografia de Gonçalo Afonso Dias






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julho 02, 2011

Pessoa






Entre o Luar e a Folhagem


Entre o luar e a folhagem,
Entre o sossego e o arvoredo,
Entre o ser noite e haver aragem
Passa um segredo.
Segue-o minha alma na passagem.

Tênue lembrança ou saudade,
Princípio ou fim do que não foi,
Não tem lugar, não tem verdade.
Atrai e dói.

Segue-o meu ser em liberdade.

Vazio encanto ébrio de si,
Tristeza ou alegria o traz?
O que sou dele a quem sorri?
Nada é nem faz.
Só de segui-lo me perdi.

 




Intervalo 


Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado —
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se é segredado?...
Quem te disse tão cedo?

Não fui eu, que te não ousei dizê-lo.
Não foi um outro, porque não sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém, seria?

Ou foi só que o sonhaste e eu te o sonhei?
Foi só qualquer ciúme meu de ti
Que o supôs dito, porque o não direi,
Que o supôs feito, porque o só fingi
Em sonhos que nem sei?

Seja o que for, quem foi que levemente,
A teu ouvido vagamente atento,
Te falou desse amor em mim presente
Mas que não passa do meu pensamento
Que anseia e que não sente?

Foi um desejo que, sem corpo ou boca,
A teus ouvidos de eu sonhar-te disse
A frase eterna, imerecida e louca —
A que as deusas esperam da ledice
Com que o Olimpo se apouca.

 
(in "Cancioneiro")



Fernando Pessoa 

Fernando António Nogueira Pessoa 

(Lisboa, 13junho1888 - Lisboa, 30novembro1935)


Casa Fernando Pessoa




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abril 07, 2010

José Régio




Adão e Eva


Olhámo-nos um dia,
E cada um de nós sonhou que achara
O par que a alma e a cara lhe pedia.


- E cada um de nós sonhou que o achara...


E entre nós dois
Se deu, depois, o caso da maçã e da serpente,
... Se deu, e se dará continuamente:


Na palma da tua mão,
Me ofertaste, e eu mordi, o fruto do pecado.


- Meu nome é Adão...


E em que furor sagrado
Os nossos corpos nus e desejosos
Como serpentes brancas se enroscaram,
Tentando ser um só!


Ó beijos angustiados e raivosos
Que as nossas pobres bocas se atiraram
Sobre um leito de terra, cinza e pó!


Ó abraços que os braços apertaram,
Dedos que se misturaram!


Ó ânsia que sofreste, ó ânsia que sofri,
Sede que nada mata, ânsia sem fim!
- Tu de entrar em mim,
Eu de entrar em ti.


Assim toda te deste,
E assim todo me dei:


Sobre o teu longo corpo agonizante,
Meu inferno celeste,
Cem vezes morri, prostrado...
Cem vezes ressuscitei
Para uma dor mais vibrante
E um prazer mais torturado.


E enquanto as nossas bocas se esmagavam,
E as doces curvas do teu corpo se ajustavam
Às linhas fortes do meu,
Os nossos olhos muito perto, imensos,
No desespero desse abraço mudo,
Confessaram-se tudo!
... Enquanto nós pairávamos, suspensos
Entre a terra e o céu.


Assim as almas se entregaram,
Como os corpos se tinham entregado,
Assim duas metades se amoldaram
Ante as barbas, que tremeram,
Do velho Pai desprezado!


E assim Eva e Adão se conheceram:


Tu conheceste a força dos meus pulsos,
A miséria do meu ser,
Os recantos da minha humanidade,
A grandeza do meu amor cruel,
Os veios de oiro que o meu barro trouxe...


Eu, os teus nervos convulsos,
O teu poder,
A tua fragilidade
Os sinais da tua pele,
O gosto do teu sangue doce...


Depois...


Depois o quê, amor? Depois, mais nada,
- Que Jeová não sabe perdoar!


O Arcanjo entre nós dois abrira a longa espada...


Continuamos a ser dois,
E nunca nos pudemos penetrar! 


José Régio




 





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março 17, 2010

Hemingway



Hemingway Home & Museum
Open 365 days a year.
From 9:00am to 5:00pm.
907 Whitehead Street,
Key West  FL  33040 U.S.A.
 
"(...) No corredor, junto à porta da sala, havia um caixote com lenha, com que eu alimentava o nosso fogo. Mas não estávamos a pé até muito tarde. Despíamo-nos às escuras no grande quarto de dormir, e depois eu ia abrir as janelas e via a noite e as estrelas frias e os pinheiros debaixo da janela e ia meter-me na cama o mais depressa que podia. Era delicioso estar na cama com o ar tão frio e puro e a noite lá fora. Dormíamos bem, e se eu acordava de noite sabia que era por uma única razão, e estendia por cima de nós um edredão, com muito cuidado, para não acordar Catherine, e tornava a adormecer.  A guerra parecia tão longe como os desafios de futebol de um colégio que não fosse o nosso. Mas eu sabia pelos jornais que se continuava a combater nas montanhas, porque a neve nunca mais vinha. (...)"
(in O Adeus às Armas, Ernest Hemingway)

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